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A Revista da Tradição Lvsitana nº 0

Neste número abordamos temas caros à Tradição: O que é Sageza? De que História e histórias é feita a nossa Tradição? Que cantos e contos a narraram através dos tempos? De que corpo de vozes e experiências e testemunhos se fez e se faz o nosso Caminho? Através de que artes de Cura e Divinação se doou a Tradição aos outros? De que Bosques e Clareiras viemos e como os habitamos? De que palavras se diz a nossa Palavra? Neste número fazemos Comunidade partilhando Valor. A nossa Comunidade celebra Autonomia, Liberdade e inclusão de Todos os seres na Comunidade de Afectos que é a Tradição Lusitana. O nosso Projecto é a reintegração de Portugal nessa vasta comunidade de pertença que é a Lusitânea. A nossa Vocação é uma amorosa ética onto-antropológica. Evocamos a Lembrança do que fomos – do que sempre fomos – a continuidade de uma Tradição em Amor. Invocamos, presentificamos e actualizamos os Referenciais Matriciais da Tradição Lusitana. Vivemos em revolucionária Esperança de um Futuro que sempre foi hoje, agora e aqui, nesta Clareira Comunitária: Nós. Queremos mundar o mundo. Leitora e leitor Amigos, queremos que venham mundar connosco o mundo. Essa é a revolução maior que procuramos: realizar uma Alquimia da Alma na Alma Comum de todos nós.

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A Revista da Tradição Lvsitana nº 1

Neste novo número da nossa Revista escutamos em «Sobre a Sageza» a Voz do nosso estimado Druída /|\ Adgnatios que, porque «Dizer é algo mais que falar», nos convida a que com ele reflictamos acerca Da Essência da Palavra Sábia. O que é falar? Ouvir? Dizer? Escutar? Sobre a Sageza meditamos acerca dos sentidos de Caminhar em Imram, em Comunidade. Acerca da inscrição das histórias da nossa Tradição n’Os Contos e n’Os Cantos da Lusitânia, refazemos parte dos nossos Caminhos Ibéricos, Europeus e Universais. Em Da Cura e Da Divinação, escutamos o rumor das águas dos rios brasileiros e dos seus segredos e cantos, germinação outonal e reflorescimento primaveril, de cada um dos lados do nosso hemisfério comunitário. Das Clareiras e dos Bosques da Irlanda e da França nos aportam ventos ou palavras acerca do nosso nemeton comum: a Natureza e suas Leis e Mistérios; as nossas Deusas, Deuses, rituais e cerimónias; ou acerca do Sal e do Pão e do Hidromel e de como a sua presença em várias tradições assinala a ancestralidade da nossa Tradição Primordial. Dos Testemunhos e dos Tempos propõe-nos que sigamos no encalço da trilha mítica de Merlin, percorrendo registos históricos, lendas e narrativas e também se dá testemunho, em partilha, dos ciclos da nossa Tradição e do modo como cada um de nós vive cada uma das nossas celebrações Comunitárias. Seguimos, assim, também, pelos Trilhos de Melindör, em demanda da Luz que inflama os nossos corações e da melodia da harpa que vibra em nós a melodia das Pedras e das Árvores ancestrais, memória querida ou eco das Vozes dos nossos Antepassados que, em cada canto nosso, desperta e revive pelas clareiras. Pelos Trilhos de Achale rememoramos a ciência antiga das plantas, seus dons, nomes e segredos, revisitamos a roda litúrgica, suas luzes, sombras e cores. Escutamos e dizemos as vozes de Tudo e de todos que em Nós e connosco caminham, porque Imram é um trilho aberto e feito pela irmandade de todos nós.

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BOLETIM HY BRASIL

As antigas lendas da velha Irlanda mencionam uma Ilha Mítica, escondida por uma neblina mágica, onde viviam os seres iluminados, tal qual uma espécie de Paraíso na Terra, ou como o Outro Mundo dos Celtas. Esta ilha, chamada Hy Brasil, aparece em mapas e cartas náuticas já do século XIV e há quem defenda que esta possa ser a verdadeira origem do nome de nosso país. Dizem que o monge e navegador irlandês Brandão de Adfert e Clonfert, também chamado São Brandão, relata em suas viagens uma passagem por esta que foi chamada de Ilha Afortunada. Navegar é preciso, disse o poeta Fernando Pessoa e é subindo a bordo de um barco que podemos viajar pelo Grande Mar do fundo da Alma, para seguirmos nossa jornada em direção ao Mundo Branco do qual fala nossa Tradição Primordial. Que este boletim, recolhendo os saberes de diversos navegadores da senda Druídica, possa ser este barco onde possamos juntos seguir em nossas Immrama. Que este boletim possa fortalecer laços e assim fomentar uma verdadeira e autêntica Tradição Druídica Brasiliana. Sim, Brasiliana e não simplesmente Brasileira. Não queremos uma Tradição Druídica apenas nascida neste país, mas sim comprometida com esta Terra Sagrada, onde a nossa Ancestralidade possa ter voz e corpo. Uma Tradição que permita que, ao nos olharmos no espelho, possamos reconhecer nossa face. Navegadores do passado enfrentaram o mar para encontrar a Ilha Afortunado, mas nós, brasilianos, nascemos aqui e por isso já somos nós mesmos afortunados. É chegada a hora de fazemos o caminho de volta; de cruzarmos novamente o Atlântico, agora no sentido contrário, para que possamos unir as espiritualidades ancestrais e criarmos nossa identidade. Ao Mar, nobres e valentes navegantes! Juntos podemos ir muito mais longe!
/|\ Gaesum Bach

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