MÃE NOITE - O RENASCIMENTO

Cerimónia do Solstício de Inverno - Colheita da Bolota Sagrada

Esta cerimónia deve ser celebrada na data mais próxima ao Solstício de Inverno, habitualmente no dia 21 de Dezembro.

Simbolismo da Celebração:

- Estimad@s, no dia 21 de Dezembro, ou em data próxima, reunimo-nos para a celebração da Cerimónia Sagrada da Mãe Noite.  

Após o Solstício de Verão a Luz encetou a sua lenta descida até aos portais “sombrios” de Samhain. Passagem liminar pelos domínios de Ankou, que lhe soprou à sua última luminescência, mas manteve-lhe a cintilância: existência faiscante, prenhe de lampejos, cuja sazonal ignição celebramos nesta data sob o signo da Sagrada Mãe-Noite ou o Renascimento de Ataegina. Esta cerimónia destina-se à celebração do retorno da Luz, cujo Divino Renascimento todos podemos experienciar aquando da observação ou contemplação da germinação das sementes confiadas à terra, concretização representativa da realidade efectiva da sobrevivência da Alma após a morte aparente originada pelo sono natural e retemperador em que a Natureza se recolheu aquando da abertura do já referido portal de Samhain. Pela sua fulcral e ancestral importância na Tradição Lusitana, esta cerimónia também é momento para nos ocuparmos, em oferenda e agradecimento às Divindades, da colheita simbólica das Glandes de Azinheira, uma vez que estas tradicionalmente eram pelos homens colhidas, moídas e transformadas em farinha para dela fazerem o Pão, ou simplesmente contemplar o seu natural retorno ao regaço da Mãe Terra quando estas se desprendem dos ramos.

Sobre a Roda Litúrgica este é o Período Branco, representando o nascimento de novas possibilidades de ser.

Pensamentos para a Cerimónia da Sagrada Mãe: «Tal como a semente germina sob a terra, que nasçam em mim novas decisões de mudanças.» e «Neste período de renovação profunda, que eu observe o mundo de outra forma, e mude forma de ver as coisas.»

IMBOLC

A Lareira de Trebaruna

Tradicionalmente realizado no dia 1 de Fevereiro, o Ritual de Imbolc informa-nos de uma Celebração marcadamente feminina, quer seja de forma literal pela condução feminina da Liturgia, quer seja pela sua etiologia, pois a mesma desenvolve-se em honra da Deusa Tríplice Brigída, Céltica, e em honra da Deusa Trebaruna, Lusitana, ambas guardiãs do lar (no sentido de abrigo), e da eira (alimento). É uma das Cerimónias mais marcantes no que respeita à essência gregária da Tradição Lusitana, uma Tradição de Lareira. Esta Cerimónia retrata não só a lactação maternal como o aspecto matriarcal da Espiritualidade Indígena Céltica Lusitana, pois realça a importâncias dos 3 Caldeirões Célticos da nossa Tradição Lusitana, que simbolizam os três reinos interiores: Alimento, Abrigo e Amor, que também podem assumir o aspecto de Acalento, Vocação, Conhecimento. Alcançar a harmonia entre os Caldeirões Interiores da cada um significa alcançar a verdadeira Sabedoria.  

O simbolismo desta Celebração:

Estimad@s, reunimo-nos no dia 01 de Fevereiro, ou em data próxima, para a celebração da Cerimónia Sagrada de Imbolc ou a Lareira de Trebaruna.  

Imbolc é o momento do ano hiperbóreo Lusitano que nos informa da «Força Vital» que a natureza manifestará no decorrer do gestante. A Natureza prepara-se, calma e docilmente, no ventre da Mãe Terra, para o novo ciclo de crescimento que está prestes a se iniciar. É uma celebração de Luz que tem vindo certamente a aumentar após o Solstício de Inverno, anunciando desde já a chegada da Primavera. É uma celebração de Fogo Sagrado feminino e de Luz em honra da Deidade Trebaruna. Celebra-se o crescimento e evolução Espiritual, a purificação e os novos começos. É uma ocasião propícia à limpeza e separação das negatividades do passado.

Na Roda Litúrgica do ano, este é um período azul e representa a primeira infância, novas alegrias e preparação para futuras realizações.

Pensamento para Imbolc: «Clareza nas vossas convicções, pois, na falta de clareza, a confusão e a discordância irá obscurecer o vosso ser. Do mesmo modo que a vela ilumina a escuridão, é preciso ser claro e luminoso, velando sempre para que tal equilíbrio seja conveniente à vossa pessoa, mas sem esquecer os outros.»

ALBAN EILIR - EQUINÓCIO DE PRIMAVERA

Renovação Fecunda da Terra

Esta cerimónia desenrola-se na data mais próxima ao Equinócio de Primavera e destina-se a celebrar o renascimento da Natureza e o retorno da Primavera.

É no decorrer desta cerimónia que o «Trevo Sagrado», símbolo vivo representativo dos três raios da LUZ BRANCA, eternizados no clássico TRIBANN, será plantado em sinal de reconhecimento das Bênçãos sobre a nossa terra Céltica Lusitana.

Pensamento para Alban Eilir: “A alegre eclosão da completude da vida, que se dirige em direcção ao Sol, lembra-me o poder, que é o meu, ao serviço da Luz. Que eu possa sempre lembrar-me que eu sou seu servidor… e que O Incriado é verdadeiramente o Poder.”

Pequena Prece para Eilir:

“Alegre portadora da Luz, a Ti a nossa saudação!
Filha da Graça, jovem sorridente, renova os dons do nosso vigor…
Surpresa da Primavera, eis a beleza do arco-íris.
Que o nosso coração desperte;
Que as nossas almas estejam receptivas à Tua graça;
Que a bênção assim seja;
Que haja receptividade em cada rosto dos aqui presentes.”

Nesta celebração estaremos reunidos para celebrar o renascimento da Natureza no Equinócio da Primavera. O Alban Eilir (ou equinócio da Primavera) é o momento simbólico que estabelece o fim do Inverno, e marca o início do retorno dos dias mais longos e claros. Eilir é a época em que os dias e as noites apresentam uma duração paritária, é, também, o tempo em que as forças da Luz Telúrica se Renovam e amplificam.

Sobre a Roda Litúrgica este é o período verde, representativo da infância, que assim também faz referência à 'Primavera' das nossas vidas. Sob a égide da Luz da Terra, a motricidade da Roda Litúrgica do ano corrente aporta-nos, então, a celebração do Equinócio de Primavera. Tal como o termo indica, «equinócio», na sua radicalidade, significa paridade, equilíbrio, harmonia e igualdade, demarcando, deste modo, a extensão de um período 'vernal' que instaura os primeiros sinais de Renascimento\Regeneração emanados em latência pela Mãe Noite e uterinados no Caldeirão Lusitano de Trebaruna. em Imbolc. Devemos, portanto, por esta altura, do mesmo modo que a semente brota da terra, impregnarmo-nos no devir da sua fase reveladora e desvelarmos finalmente as meditadas inscrições resultantes do período de recolhimento próprio da escuridão de invernal. Estamos no ponto-meio entre Imbolc e Beltane, no qual poderemos ter a possibilidade de ecfetuar uma reflexão etiológica acerca não só de um ofício equilibrado, mas também sobre os próprios fundamentos que promovem esse equilíbrio, as suas simetrias e as suas sinergias, no que diz respeito às nossas vidas, às relações entre a nossa interioridade, promovida pelas celebrações lunares, culminadas em Imbolc, e a nossa exterioridade, promovida pelas celebrações solares, que se iniciam doravante. Esta órbita elíptica, e constante, do Fluxo Energético Universal, manifesta entre proporcionalidades de corpo físico e corpo espiritual, são tema de um sujeito que subsume em si, pois é algo mais, o equilíbrio, a igualdade, a equidade e a paridade e que nos aponta às luminescências da Luz.

É da etiológica Luz da Mãe Terra que se doa que a aqui se trata, mas é importante ter sempre presente que existe também sabedoria e sacralidade no receber, e clarividência no que esse receber pode e deve implicar. A Mãe é solo húmido e fértil e, se é verdade que essa promoção incide no circuito natural da regeneração e gestação, nós também deveremos ser férteis e humildes, para podermos efectuar essas mesmas inscrições em cada um de nós. Equilibrar é avergir na procura de medida-nossa, situar abrangências e definir balizamentos que nos permitam, por um lado, sair da escuridão e, por outro, poder abraçar a claridade da Luz da Mãe Terra que se entorna em clarividência. Equilibrar é olhar como igual o que é diferente e olhar como diferente o que é igual; equilibrar é promover vida e não destruir possibilidade de vida. Paridade é justa medida, é estar a par e não apequenar a dignidade de os seres que habitam a terra que nos nutre. Equidade é ser ombro no caminho e não deixar cair, é fazer saldo médio da felicidade e só estar alegre quando os outros também o estão, é ser empático e solidário, isto é, é fazer saldo médio das bênçãos e distribuir a quem delas também precisa. Eilir é estar em harmonia com a Natureza e não se resignar pelos atentados que o género humano faz à Gaia, pois do ponto de vista desta casa comum, que é a Mãe-Casa onde vivemos, não há fora; Eilir informa-nos de uma justiça em género e em grau, não se sentir superior a quem luta pelos seus direitos naturais em se constituir: é ser para a mulher quando a mulher precisa, é ser para o homem quando o homem precisa…e ser para ambos quando todos precisam. Celebrar Eilir é celebrar uma vida virtuosa no mundo com os outros, é saltar preconceitos e abraçar os carenciados de reconhecimento; é ser mão na mão; é preencher vazios e suprimir carências. Celebrar esta Luz é celebrar a vida que se faz e zelar para que se continue a fazer.

BELTANE

As Fogueiras de Bellenus - Maios Lusitanos

A Cerimónia de Beltane oferta-nos a possibilidade momentânea de nós, buscadores do Caminho em Abred, ainda que limitados pela nossa condição de seres imperfeitos, podermos atravessar o portal cósmico da Transcendência Espaço-Tempo, revisitando assim o Mundo do Além e poder contactar com nossa Unidade Primitiva. Trata-se do primeiro momento de liminaridade da Roda Litúrgica do Ano Céltico Lusitano, não só representativo da meia estação, mas que também nos informa de um momento paralíquido de anamnese ou lembrança acerca da origem. Contrariamente a Samónios, o outro portal de liminaridade, este Tempo-Espaço, que permite aos nossos Ancestrais entrar no círculo de Abred e partilharmos com eles as nossas conquistas e falhas, alegrias e tristezas, e que também nos informa de um necessário período sombrio que apela ao recolhimento, meditação, síntese e atualização acerca das nossas abrangências, é precisamente em Beltane que se inicia o período antípoda, no qual as nossas interioridades mais profundas vão ao campo acontecer e mostrar de si o quão virtuosas são para a nossa Tradição.

Assim, para que possamos receber em graças as benesses da Transcendência Divina, peço-vos que abram a Beltane os vossos corações.